♪ ANÁLISE – “Quem se atreve a me dizer / Do que é feito o samba?”, provocou Marcelo Camelo nos versos iniciais de Samba a dois (2003), música do terceiro álbum da banda Los Hermanos, Ventura (2003). Diante de mais uma polêmica inútil nas redes sociais, caberia a pergunta: quem se atreve a dizer a Chico Buarque do que é feito o samba? Assim que o cantor e compositor carioca lançou a música Que tal um samba? em single editado na sexta-feira passada, 17 de junho, houve quem questionasse o gênero da composição de autoria do artista. O que levou o ritmista Marcelo Costa a publicar post em que alfinetava “os chatos de plantão”. É que, tal como a música foi gravada, com o toque do bandolim de Hamilton de Holanda e com o arranjo do produtor musical e violonista Luis Claudio Ramos, Que tal um samba? segue por caminhos de Cuba e desemboca na rota do choro. Sem nunca deixar de ser um samba. Ou um samba-choro. Ou um samba cubano. Mas um samba. No universo sem fronteiras da música, Chico Buarque apresentou um samba que aponta o gênero como um alento no tempo ruim. O samba que anseia ser o grito engasgado na garganta do povo brasileiro. E samba, no caso, deve (também) ser entendido como um símbolo de festa. De alegria. E aí pouco importa se é mesmo um samba, uma salsa, um funk, um rock, um rap, um coco ou um xaxado. Que tal uma música para ir à luta? É isso o que compositor propõe, com a já notória politização, ciente de que cada um vai à luta no ritmo que preferir. Até mesmo na cadência do samba. Que tal ouvir Que tal um samba? com o espírito do compositor? Fica mais fácil perceber que, no contexto político, a música de Chico Buarque é tudo o que se quiser que ela seja, sem deixar de ser o samba imaginado pelo compositor para zerar o jogo.
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By midisul

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